
O setor da graduação ocupa a grande maioria da formação da Universidade de Cabo Verde. A sua dinâmica é muito ativa e tem-se demonstrado através dos diversos eventos realizados na academia, no âmbito de cursos e disciplinas, mas também através do aumento do leque de cursos de licenciatura, com especial destaque para o Mestrado Integrado em Medicina, que tem trazido estudantes de diversos países para estudar em Cabo Verde.
Uni-CV: Qual era o cenário da graduação aquando da altura em que obteve a pasta?
João Cardoso: O cenário da graduação caraterizava-se pela existência de um leque diversificado de cursos nas diferentes unidades orgânicas, com alguns deles a registar um decréscimo acentuado de procura, nomeadamente os da área das Ciências Sociais e Humanas. Do ponto de vista da gestão, o sistema apresentava-se estável, mas carecendo de alguns ajustes para se adaptar às mudanças na instituição, sobretudo com a implementação dos novos Estatutos, mas também sentia-se a necessidade de alguma adaptação aos desafios do país. É neste contexto que foram adotadas algumas medidas de natureza organizativa e de funcionamento, destacando-se a montagem do sistema informático de gestão académica, que contribuiu para uma melhoria significativa no funcionamento dos Serviços Académicos e na qualidade do serviço que é prestado aos estudantes e ao público em geral. No que se refere aos desafios do país, importa destacar o alargamento das ofertas formativas a nível da graduação.
Uni-CV: Como tem sido a agenda do Pró-reitor para a Graduação e CESP estes três últimos anos?
JC: Tem sido uma agenda muito intensa, mas muito enriquecedora. Tendo em conta o peso da graduação na dinâmica diária da instituição, pois é o ciclo de estudos que representa maior peso na população estudantil da universidade, mas também a diversidade de processos associados ao setor, as ações desenvolvidas a nível da graduação acabam por ter caráter muito transversal e, consequentemente, entrelaçam-se intensamente com as ações a nível de outros setores, nomeadamente os da cooperação, infraestruturas e equipamentos, recursos humanos (nomeadamente a gestão do serviço docente), entre outros. Deste modo, a agenda da Pró-reitoria da Graduação tem se caraterizado por contactos permanentes com os serviços centrais e com as unidades orgânicas, bem como com entidades externas, tendo em vista a mobilização de parcerias nos diversos domínios de interesse para o desenvolvimento da graduação e da instituição no seu todo.
Uni-CV: Qual tem sido a evolução da pasta da graduação?
JC: O setor da graduação tem registado uma evolução muito positiva. Em termos de oferta formativa, surgiram muitos cursos novos, destacando-se o curso de Mestrado Integrado em Medicina que, pela sua natureza, representa não só um marco para a Universidade de Cabo Verde, mas também para o país. Associado ao alargamento das ofertas formativas e visando uma resposta inovadora ao aumento da procura, foi introduzido o sistema de candidatura on-line, que constitui uma revolução muito interessante na prestação de serviço ao público pela Uni-CV. Do ponto de vista da gestão do setor, designadamente no que respeita à gestão dos cursos, houve também mudanças na organização com a adoção de um novo figurino de organização das áreas disciplinares e das coordenações de curso.
Na gestão da graduação no presente mandato, importa também destacar o processo de revisão curricular, que se encontra em fase de conclusão. Trata-se de um processo muito complexo e determinante para o futuro da instituição.
Uni-CV: Qual prevê que seja o futuro para a graduação?
JC: O futuro da Uni-CV anuncia ser muito promissor, tendo em conta o percurso feito pela instituição ao longo destes dez anos que se seguiram à sua criação. Hoje temos uma instituição que goza de um grande prestígio interno e externo. Este é um facto que se pode constatar pelo número de parceiros internos e externos, incluindo instituições de ensino superior, empresas, instituições públicas e organismos internacionais, bem como pela intensidade da agenda de extensão ao longo dos anos. Quem consulta o site da Uni-CV percebe isso de imediato. Por conseguinte, considerando a experiência acumulada e as potencialidades que a instituição criou, tanto em termos de recursos humanos (ex: elevado número de docentes adquiriam o grau de doutor), que se carateriza por uma população muito jovem, como em termos das infraestruturas e equipamentos (instalações novas, laboratórios com equipamentos de elevado padrão, etc.), bem como do quadro normativo (nomeadamente os novos Estatutos e os regulamentos criados ou revistos), só pode haver uma grande confiança no futuro da nossa instituição. Porém, não se pode perder de vista um dos grandes desafios da graduação que é reduzir a taxa de reprovações e de abandono escolar. Por outro lado, há que estar ciente dos desafios que a conjuntura interna e externa do país nos coloca, destacando-se sobretudo o maior desafio para a gestão da Uni-CV que é conseguir a sustentabilidade financeira da instituição.
Uni-CV: E do CESP?
JC: O CESP constitui um ciclo complementar à graduação (complementar no sentido da missão) e que ainda carece de alguma atenção tendo em vista a sua consolidação. O cenário atual carateriza-se por uma redução de cursos em funcionamento, derivado sobretudo da entrada de outras instituições no ensino superior profissionalizante, contrastando com a situação de monopólio que a Uni-CV detinha até finais de 2014. Em termos organizativos, foi criada uma unidade funcional que se dedica especificamente à coordenação deste ciclo – o Gabinete de Coordenação Geral dos CESPs.
Uni-CV: O que considera que poderá ser melhorado no seu setor?
JC: Fazendo uma retrospetiva do exercício do cargo e uma avaliação global do percurso da universidade nos seus dez anos de existência, julgo que a aposta na informatização deve ser prosseguida, assim como a melhoria na articulação entre as diferentes orgânicas de modo a permitir uma maior sinergia. Um outro aspeto a ser melhorado tem a ver com a comunicação com o exterior, sobretudo com a camada jovem e com os estudantes dos outros subsistemas (básico e secundário), bem como com os atores do mercado laboral, nomeadamente com as empresas. Temos em curso algumas ações neste sentido, destacando-se as atividades da Casa da Ciência junto das escolas do ensino básico e do ensino secundário, bem como a experiência piloto na ENG visando a articulação com o mercado, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Uni-CV: Que bjectivos quer alcançar antes do final do bject mandato?
JC: De entre vários bjectivos, uns de grande alcance e outros de curto prazo, eu destacaria apenas dois: concluir o processo de revisão curricular para estabilizar os ciclos de estudos e para normalizar os processos de gestão dos cursos, e reduzir a taxa de reprovações na graduação.
Uni-CV: Como se pode reduzir a taxa de reprovações?
JC: Para além de algumas medidas de natureza pedagógico-didática que os docentes poderão adotar a nível das unidades curriculares, outras medidas precisam ser equacionadas, nomeadamente a institucionalização de um programa de ensino tutorial nas disciplinas que apresentam taxas elevadas de reprovação.
Tem pouco mais de vinte anos, mas a determinação é saliente nas suas palavras e forma de falar. Daniel Correia afirma sem receios: “Sou ambicioso, sonho alto”. É uma das máximas deste jovem empreendedor, estudante da Uni-CV, que criou a empresa de fotografia Dany Midia, e com ela quer contribuir para o desenvolvimento de Cabo Verde.
“Dany Midia é o início de um grande sonho”. É desta forma que Daniel Correia classifica a sua ‘microempresa’ que tem feito trabalhos de cobertura fotográfica de eventos, como casamentos e batismos, produção de cartões-de-visita, flyers, entre outros.
Dany, como é conhecido, é natural do concelho de São Miguel, tem 22 anos e estuda o 3º ano do curso de Tecnologias Multimédia e Comunicação na Universidade de Cabo Verde. Órfão de pai, mãe doméstica, Daniel é o único dos filhos a chegar a uma universidade. Lembra que passou por muitas dificuldades e desafiando as condições económico-financeiras arriscou e correu atrás daquilo que queria. “Lembro-me de onde vim e não quero pra lá voltar”, salienta.
Entre tantas coisas que queria, estava o sonho de criar, de conhecer e se integrar aos bastidores da produção de um programa, e trabalhar por conta própria. Tudo isso, antes mesmo de terminar o curso.
Daniel conta que a interação com colegas já inseridos no mercado de trabalho permitiu-lhe aprender muito mais. Foi desta forma que surgiu a Dany Mídia: “o início de um grande sonho, de um grande projeto” que acredita ser o primeiro passo para se projetar e ganhar o seu lugar no mercado.
O micaelense pretende vir enquadrar outras áreas como o design gráfico e a webdesign no seu projeto, integrando profissionais especializados.
Com apenas 2 meses de vida, a Dany Midia já começou a dar seus frutos. Pois, segundo Daniel, por causa deste projeto, muitas coisas boas já lhe aconteceram, além de já conseguiu obter algum retorno financeiro. Daniel realça a sua participação na realização do projeto Women Tech África, e em eventos futuros como a Gala Uni-CV e no TEDx Praia.
Com vontade de aprender cada vez mais e lutar pelo seu futuro, Daniel tem feito muito com uma máquina fotográfica alugada que sempre o acompanha.
Os elogios ao trabalho têm sido muito e uma motivação para continuar, por isso diz: “Sou um aluno proactivo. Tenho muito que aprender, tenho paciência e humildade para aprender”.
Deixa uma mensagem aos seus colegas e futuros estudantes universitários: o hábito da leitura e pesquisar são cruciais para a aquisição de conhecimento e sabedoria.
Por: Larice Freire
Estudante do 4ª ano de Jornalismo
O Sistema de Gestão Global Integrado deverá estar completamente operacional em 2017. Podendo ser utilizado nesse ano para avaliações de desempenho. Para isso os Serviços Técnicos estão a realizar formações para explicar os diferentes conceitos do aplicativo, que de acordo com o seu Diretor, vai beneficiar em muitos os mecanismos de trabalho da academia.
Uni-CV: O que é o Sistema de Gestão Global Integrado?
Dr. Celestino Barros: Sistema de Gestão Global Integrado é um sistema desenvolvido para a Uni-CV pela Quality Alive em parceria com os Serviços Técnicos. O Sistema vai gerir toda a parte da qualidade da Uni-CV, isto quer dizer, a avaliação docente, não docente, todos os planos estratégicos e operacionais, permitirá também a realização de mapeamento de processos, criando assim o conceito de workflow ou fluxo de trabalho.
Uni-CV: Quais são os fins da implementação desse sistema na Uni-CV?
CB: Foi um dos compromissos da atual equipa reitoral, desbloquear, sobretudo, o processo da promoção na carreira na Uni-CV, mas isto envolve um conjunto de outros processos pendentes. Ter critérios para avançar na carreira docente é mais simples porque é feito através de novas habilitações académicas, mas a parte não docente é mais complexa porque ainda não há uma capacitação através de graus e diplomas que sejam reconhecidos em Cabo Verde e que permitam a promoção na carreira, fazendo com que hoje tenhamos o cenário em que temos muitas pessoas com processos pendentes. Nessa perspetiva, decidiu-se gerir essa parte da qualidade da Uni-CV, sobretudo com processos de implementação das avaliações feitas com base no currículo, no que o funcionário vai construindo no dia-a-dia e assim será possível ter subsídios suficientes para a tomada de decisão. Isto seria uma primeira razão.
Uma segunda razão tem a ver com a própria avaliação das universidades em que com a automatização das próprias tarefas permitirá uma gestão mais facilitada, fazendo com que os processos tramitem pela via digital de forma mais rápida e clara. Portanto se formos ver as vantagens são enormes. Além dos pontos enumerados, ainda há a questão da disponibilização de instrumentos que poderão facilitar os processos da criação de documentos estratégicos, como são os planos estratégicos ou operacionais. Com o SGGI a criação desses documentos resume-se basicamente a relatórios. Assim criam-se os planos operacionais e pede-se subsídios aos envolvidos nos processos e depois manda-se imprimir o relatório e com ele temos um plano estratégico. Essas são as mais-valias de uma forma muito geral.
Uni-CV: Qual o plano de formação que propõem para a comunidade?
CB: Este aplicativo é transversal a todas as pessoas da Uni-CV e todas as pessoas vão ter acesso a ele, porque vai permitir desbloquear as informações pessoais de cada um. Efectivamente para as pessoas o poderem utilizar têm de estar capacitadas. Embora o grosso do trabalho da utilização do SGGI esteja na parametrização com a própria aplicação, ou seja, que sejam realizados um conjunto de processos no backoffice para que quando as pessoas tiverem acesso ao sistema já tenham lá o que precisam para executar as suas funções.
A ideia da formação é conseguir abranger todo o público da Uni-CV com sessões não muito longas, em que pretendemos mostrar conceitos relacionados com a avaliação do respetivo perfil, seja docente e não docente, e depois mostrar como contribuir na elaboração de planos estratégicos e operacionais e como acompanhar a gestão de processos. Não é possível dar todos estes tópicos numa única sessão, teremos inúmeras sessões, onde vamos abordar isso tudo. Provavelmente também surgirão ocasiões onde teremos de repetir o próprio processo, porque efetivamente a avaliação só faz sentido quando toda a gente se apropria dela e todos conhecem as regras por que serão avaliados.
O que se está a discutir neste momento em termos de avaliação, sobretudo no que toca ao pessoal não docente, vai basear-se em dois grandes momentos: num primeiro momento numa autoavaliação e depois na avaliação descendente, numa segunda fase, em que os dirigentes vão avaliar os seus funcionários.
Uni-CV: Do lado dos Serviços Técnicos já têm a completa apropriação do sistema?
CB: Sim. Em termos do domínio já temos na sua totalidade, é claro que a equipa do outro lado está sempre disponível para retirar qualquer dúvida. Portanto, estamos capacitados para ministrar quaisquer formações.
Uni-CV: A sua integração total como sistema de trabalho na Uni-CV será para quando?
CB: O sistema é enorme e vai beber informações noutros sistemas. A data de integração prende-se basicamente com a agilidade que queremos dar a este processo. Inicialmente, a nossa equipa foi desafiada a desenvolver a parte da qualidade da Uni-CV, só que temos outros desafios que foram lançados anteriormente e como esses desafios ainda não estão concluídos achámos por bem, de forma a agilizar esse processo, contratar uma empresa parceira para auxiliar nesse processo e foi dessa forma que surgiu a Quality Alive. O aplicativo foi construído à imagem do Sistema de Informação Integrada (SII), desenvolvido por nós, no sentido de a plataforma estar integrada e para que as pessoas tenham apenas uma senha de acesso em qualquer dos sistemas de gestão da Uni-CV.
A ideia é que os utilizadores façam os primeiros testes de acesso em 2017, o que significa que a integração da plataforma terá de estar concluída nessa altura e a integração total pretendemos que seja em 2018.
Uni-CV: Como será realizada a avaliação de desempenho?
CB: O sistema é um instrumento e o instrumento está operacional. Agora o processo de avaliação está a ser discutido neste momento, portanto quais os parâmetros que deverão ser usados.
Neste momento, com base no próprio regulamento de avaliação, posso dizer que para o caso da avaliação docente, a avaliação será feita com base na informação que o docente vai inserir na plataforma. O docente vai preencher o seu próprio currículo com as informações da atividade que ele realizou no período em que vai ser avaliado e a avaliação vai basear-se num conjunto de critérios. Novamente no caso dos docentes os parâmetros avaliados serão a investigação, o ensino e a extensão.
Em função do preenchimento do currículo e das regras definidas na aplicação e da validação por parte da comissão da avaliação poderá obter-se uma percentagem de avaliação do docente.
Outra questão que está a ser debatida é a avaliação dos docentes pelos estudantes, a pergunta que se coloca é se essa avaliação deve ou não contar para a avaliação docente. O que se definir será acatado pelo sistema que consegue submeter-se a esse processo.
Para a avaliação do pessoal não docente o processo é diferente. Aqui já temos o conceito de grupos funcionais em que foram identificados 27 diferentes na Uni-CV, ou seja, cada grupo corresponde a um número de pessoas que desenvolvem as mesmas funções. Essa divisão vai permitir-nos ter um organograma funcional da instituição.
Neste momento já temos próximo de 700 utilizadores no sistema.
Uni-CV: Quem são as pessoas que já usaram o SII?
CB: Neste momento os principais utilizadores são os docentes e os funcionários. Não significa que os estudantes não o venham a usar, mas para os estudantes o processo será diferente e não terão de o usar no dia-a-dia.
Relativamente aos não docentes, é necessário definir as funções que cada grupo funcional deverá desempenhar, que estão caraterizadas por cinco pontos: Requisitos da função (conjunto de caraterísticas que os candidatos e empossados nos cargos devem respeitar); Conhecimento (capacidade cognitiva para definir as situações, elaborar diagnósticos e escolher planos de conduta); Competências (evidências que diferenciam os níveis de desempenho de uma função, demonstradas em conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos mais adequados à plena realização das atividades); Comportamento (conjunto de ações observáveis que permite verificar uma determinada competência); Objetivos individuais (resultados mensuráveis, relacionados com o desenvolvimento de uma atividade específica, desempenhada por um funcionário, ou por uma equipa num determinado período de tempo, definidos com base no plano de atividades e cuja avaliação permitirá aferir os contributos individuais para a concretização dos resultados).
E depois colocamos as ponderações para cada uma destas categorias. Assim que ficar definido, será aplicado de forma igual para cada grupo funcional. Isto é tudo aplicado com base nos regulamentos.
É nisto que estamos a trabalhar agora, é um processo lento que exige articulação com os Recursos Humanos.
Uni-CV: O sistema de avaliação SGGI é baseado em que documentos?
CB: Regulamento de Avaliação do Pessoal Docente e não Docente, Plano Estratégico, Estatutos da Uni-CV e o documento de Descrição dos Conteúdos Funcionais das categorias profissionais dos grupos de pessoal técnico e administrativo do quadro de pessoal da Uni-CV, que foi aprovado pelo Conselho administrativo.
Uni-CV: Em que períodos será realizada?
CB: É a instituição que define o período da avaliação de forma global, mas isso deverá estar no regulamento das avaliações que for aprovado: que avaliações serão feitas, quando e de que modo. O que os regulamentos atuais preveem é a avaliação anual, no entanto, os regulamentos ainda não foram aprovados.
Uni-CV: Porque houve esta necessidade de avaliar a comunidade da Uni-CV?
CB: Na Universidade ainda temos alguma dificuldade de definição do que fazemos, e muitas vezes, acabamos envolvidos em muitos projetos. Depois chegamos a um determinado período em que verificamos que as nossas próprias funções não foram executadas. Isto por que muitas vezes desenvolvemos tarefas que outras pessoas deveriam fazer. O sistema vai permitir disciplinar isto porque as funções de cada um ficarão bem definidas e cada um terá a responsabilidade de lhes dar seguimento sob pena de não ser bem avaliado, com base em informações e métricas claras. Será possível verificar o desempenho de cada um em cada período com base nos critérios estipulados. Isto vai disciplinar os processos de progressão e promoção na carreira, portanto vai justificar estes processos.
Todas as tarefas em que participarmos ficarão registadas no sistema e portanto haverá uma gestão do currículo profissional, criando maior visibilidade sobre o desempenho de cada um.
Uni-CV: Quais são os benefícios para a aplicação deste sistema de qualidade?
CB: Os benefícios serão a Integração dos Sistemas, a Padronização dos Processo, a informação vai tornar-se de mais fácil acesso o que vai permitir uma tomada de decisões de forma mais rápida, haverá uma diminuição da redundância, as pessoas vão poder focar-se na sua atividade principal, daí o aumento da produtividade e a redução de custos.
A Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) é a maior Unidade Orgânica (UO) da Uni-CV e como tal o Presidente da FCT acredita que com o envolvimento de todos será possível beneficiar a UO e afirma: “Nós temos potencial.”
Uni-CV: No início da nova administração, estava como vogal da FCT, como estava a faculdade nessa altura?
Professor Jorge Tavares: Na verdade antes de passar a fazer parte do Conselho Diretivo do Departamento de Ciências e Tecnologia, hoje Faculdade Ciências e Tecnologia, fui Coordenador Geral dos CESP, Coordenador dos CESP do DCT e dos cursos de Engenharia Eletrotécnica e Ensino de Física. Na altura, conseguimos alguns ganhos, principalmente no que diz respeito a montagem e equipamento de laboratórios no âmbito dos projetos CESP. Naturalmente, tínhamos alguns constrangimentos, sobretudo no que diz respeito à comunicação interna. Penso que esse aspeto foi melhorando ao longo dos últimos anos. Um outro constrangimento que se podia notar na altura era, a meu ver, alguma dificuldade das pessoas em se expressarem, com a liberdade desejada e necessária, as suas ideias. A perceção que tenho é que havia um certo distanciamento entre as classes, principalmente entre estudantes e a equipa Reitoral.
Uni-CV: Portanto esta equipa tem demonstrado maior abertura para ouvir a comunidade?
JT: Sem dúvida. Esta equipa está mais disponível, e percebe-se que os processos são tratados com maior celeridade, o que é muito positivo para o avanço da academia. Porém, como é natural, nem sempre é possível dar vazão ao elevado número de solicitações, sendo que muitas de difícil solução. A liberdade excessiva traz também constrangimentos, exemplo deste fato são as mensagens que a nossa Magnífica Reitora recebe de estudantes que, quase sempre, passam por cima dos Conselhos Diretivos. Isso constitui um constrangimento, porque são questões que às vezes podem ser resolvidas a nível das Unidades Orgânicas. Naturalmente, em alguns casos considerados relevantes, o processo retorna para as Unidades Orgânicas, tornando os processos mais morosos. Outrossim, esta abordagem direta torna a equipa reitoral mas exposta e muitas vezes com sobrecarga de tarefas desnecessárias. Globalmente, a abertura para ouvir a comunidade é um sinal claro da intenção de unir todos na procura de soluções em prol da academia que, se bem articulada, traz ganhos imensuráveis.
Uni-CV: Qual tem sido a relação da faculdade com esta nova administração?
JT: A relação é das melhores. Trabalhamos num espírito de total abertura. Sempre que há alguma questão importante, é discutida com franqueza, abertamente entre a Comissão Executiva e a Reitoria. As soluções são encontradas de forma conjunta, e isto é muito importante. Assim a Equipa Reitoral fica a saber de fato quais são os problemas da Unidade Orgânica, e a Unidade Orgânica também conta com a Reitoria para poder encontrar soluções. Isto é fundamental numa organização. A Universidade como uma organização composta por vários setores, entendemos que cada um é um elo importante do sistema. Portanto, não poderia haver outra forma de pensar e de trabalhar que não fosse em estrita articulação.
Uni-CV: Então houve ganhos com a eleição do reitor?
JT: Isso foi fundamental. Em primeiro lugar, a eleição do reitor pela academia, reflete a vontade e o sentimento de confiança num determinado Professor. É um processo através do qual todos têm a oportunidade de efetuar a sua escolha. Portanto, significa que o Reitor eleito estará a representar a intenção de toda ou da maioria da academia, e isso é importante. A eleição do reitor entre os académicos é uma forma de fazer valer o conceito de democracia e, neste sistema, como se sabe, há maior liberdade de todos em expressar as suas ideias, de comunicar e fazer chegar as suas intenções a quem tem o poder de decisão. A academia sente-se representada quando o reitor é eleito e todos os intervenientes deste processo se sentirão como parte do sistema, o que é muito positivo para o cumprimento das missões da Universidade.
Uni-CV: Como foram estes quase três anos de administração para a FCT?
JT: Eu entendo que já se fez muito de grande importância, mas também ainda há muito por fazer. A Uni-CV é uma universidade nova, está inserida numa sociedade com poucos recursos e naturalmente tem os mesmos problemas das demais instituições públicas. Todavia, têm-se notado avanços em vários domínios. Avanços esses que se traduzem em crescimento da universidade em números e em qualidade. Para continuar a crescer é necessário não só o empenho do Comissão Executiva, mas também, o envolvimento de todos os elementos que fazem parte desta Faculdade. É claro que precisamos do suporte da Reitoria. Inicialmente, o nosso principal foco foi criar um clima mais académico internamente, porque notava-se que não havia o engajamento necessário e desejável dos docentes e até mesmo do pessoal administrativo à volta daquilo que são as metas da Faculdade. Acreditamos que a motivação permite ao homem desenvolver as suas capacidades humanas, principalmente aquelas que o conduzem na direção do progresso, sucesso e em última análise, na produção do bem em favor do coletivo. Estamos a tentar trazer essa cultura para dentro da Universidade. Pensamos que de certa forma conseguimos trazer um espírito de maior união e mais harmonia para dentro da nossa Faculdade. Entendemos que são aspetos fundamentais para o crescimento de qualquer instituição. O espírito de tranquilidade, de trabalho em harmonia e parceria e o espírito de lealdade institucional, são aspetos que estamos a tentar promover.
Uma das formas de se conseguir ganhos para a academia é o desenvolvimento de projetos. Neste domínio, apesar das dificuldades, muitos docentes, professores e investigadores têm conseguido desenvolver projetos de extrema importância para a Faculdade e para a Uni-CV. Aproveito, para agradecer a todos aqueles que têm procurado envolver-se neste processo e solicitar aos demais para também seguirem o mesmo exemplo. A FCT é a maior Unidade Orgânica e herda a responsabilidade da Uni-CV de desenvolver ações no domínio das Ciências Exatas e Engenharia. A tipo ilustrativo, a FCT através dos sues investigadores, vem desenvolvendo projetos tais como:
Para os próximos 3 anos a FCT estará a participar nos projetos conforme a relação que se segue:
DESAL+ - Plataforma macaronésica para el incremento de la excelencia en materia de I+D en desalación de agua y en el conocimiento del nexo agua desalada-energía
REBECA - Red de excelencia en biotecnología azul (algas) de la región de la macaronésia.
BIOTRANSFER 2 - Transferencia de la investigación biotecnológica orientada a la rentabilidad empresarial y movilización de flujos de negocio 2;
ADAPTaRES - Adaptación al cambio climático en la macaronésia a través del uso eficiente del agua y su reutilización
VOLRISKMAC - Fortalecimiento de las capacidades de I+D+i para la monitorización de la actividad volcánica en la Macaronésia
SOSTURMAC - Revalorización sostenible del patrimonio natural y arquitectónico y desarrollo de iniciativas turísticas bajas en carbono en Canarias y Cabo Verde.
A FCT tem conseguido equipar alguns laboratórios no âmbito da execução desses e outros projetos, como por exemplo o Laboratório de Biologia Molecular, de Energias Renováveis, de Vulcanologia e o Centro de Ensino à Distância. Por outro lado, alguns investigadores têm beneficiado com bolsas para formação a nível de estágios e a nível de doutoramento em instituições internacionais, como é o caso da Universidade da Madeira e o CIBIO no Porto.
É importante que núcleos de investigação existentes sejam dirigidos por pessoas com a vocação e a vontade de os dinamizar. Entendemos que a criação das áreas disciplinares e o consequente agrupamento de docentes por áreas disciplinares poderá contribuir para a coesão entre especialistas e paralelamente a isto, permite a partilha de conhecimento entre os diferentes grupos. Aspetos que de certa forma, concorrem para o desenvolvimento de projetos importantes. Portanto, tendo uma organização, tendo uma estrutura muito bem montada, certamente estaríamos mais perto de conseguirmos realizar grandes obras aqui na nossa Unidade Orgânica. Temos potencial. Temos estudantes inteligentes com ideias e que com orientação poderão desenvolver grandes projetos. Contamos com os nossos parceiros, públicos, privados, governamentais e não-governamentais na busca de recursos para materializarmos os nossos projetos. Existem protocolos celebrados com várias instituições. Portanto, os meios já estão criados, agora é operacionalizar. Para isso, contamos com toda academia.
Jaquelino Varela é um ex-estudante da Uni-CV, licenciado em Ciências Biológicas pela Uni-CV e mestre em Ensino da Biologia pela Bridgewater State University. Como um dos membros Alumni da Universidade, o ex-estudante natural de Santa Cruz fala do seu percurso na universidade e de como esta lhe abriu os horizontes para a vida profissional. Afirma que a Uni-CV não foi a sua primeira escolha, mas sim a mais acertada.

Uni-CV: Porque escolheu estudar na Uni-CV?
Jaquelino Varela: Na verdade, a Universidade de Cabo Verde não foi a minha primeira escolha. Quando terminei o 12º ano, queria fazer a licenciatura num país anglófono devido à minha paixão pela língua inglesa. Em 2005, enquanto aluno da Escola Secundária de Santa Cruz tive a oportunidade de participar num intercâmbio nos Estados Unidos. Na altura, o que descobri nessa viagem tornou-se em tudo o que eu almejava como experiência internacional. Então fiz alguns contatos para ver se conseguiria estudar nas universidades norte-americanas, mas infelizmente não consegui e acabei por escolher a Uni-CV como plano B. Era a minha segunda opção, mas acabou por ser a escolha mais acertada. Acho que foi bom não ter conseguido realizar o meu plano A, que era estudar num país anglófono, porque foi através da Uni-CV que consegui estudar nos Estados Unidos.
U: Como foi a sua experiência em estudar na Uni-CV?
JV: Para mim, foi muito difícil, porque sou do interior e de uma família com poucas condições financeiras. As minhas principais dificuldades eram a deslocação do interior para a cidade da Praia todos os dias, além de também ter dificuldades com a alimentação e ainda com os gastos em fotocópias. Somente no 2º ano do curso é que decide morar na cidade da Praia. Relativamente ao curso, não tive grandes dificuldades porque desde sempre me formei para ser um guerreiro para ultrapassar todas as dificuldades que tenho sentido desde criança. Mas consegui ultrapassar com ajuda de colegas e professores porque sempre fui muito humilde, nunca escondi as minhas dificuldades e sou uma pessoa muito abençoada, por onde passo sou rodeado de pessoas que me ajudam.
U: Então os professores e os colegas tiveram um papel de apoio muito importante para ajudar a ultrapassar essas fases?
JV: Sim, até hoje lembro-me de uma colega, a quem chamo de mãe porque ela foi como se fosse uma mãe para mim, ajudou-me em todos os aspetos, partilhávamos a mesa juntos, ela foi muito importante para mim. Os professores também me encorajavam e hoje somos grandes amigos.
U: No tempo em que estudava havia uma grande percentagem de estudantes com dificuldades?
JV: Sim, havia outros estudantes com as mesmas dificuldades, especialmente do interior como eu.
U: O que o levou a escolher a licenciatura em Biologia?
JV: Desde criança que sempre fui uma pessoa muito diversa, de muitas paixões, por isso tornei-me num jovem versátil. Quando conclui o 12º ano tinha muitas opções sobre a mesa para escolher, eram áreas que não tinham nada a ver uma com a outra como por exemplo, o inglês, a medicina, o jornalismo, a biologia e a engenharia, mas acabei por escolher a biologia por causa de influência de um professor do ensino secundário e foi uma escolha acertada, porque sou apaixonado pela natureza, pela vida animal e pela preservação das espécie em extinção.
Uni-CV: Que oportunidades teve através da Uni-CV?
JV: Primeiro foi a iniciação científica que aconteceu em 2009, tive dois meses no Brasil. Foi uma experiência inesquecível e muito interessante. Foi o meu primeiro contato com a pesquisa prática na Universidade Federal de Lagoas, fiz várias amizades, contactos com professores e alunos.
Uma outra oportunidade que eu tive através da Uni-CV, foi fazer o mestrado nos Estados Unidos, na Bridgewater State University (BSU), graças a uma parceria entre a Uni-CV e a BSU.
U: Como foi a experiência na Bridgewater State University?
JV: Foi um ano e meio muito interessante, as condições de ensino são excelentes para qualquer universitário, mas no início enfrentei dificuldades com a alimentação e com o clima. No entanto, não foi difícil ultrapassar. Consegui fazer o meu mestrado num ano e meio na área de ensino da Biologia.
Na BSU, as condições para a prática são de longe as melhores em que já trabalhei. A forte componente prática é uma das grandes diferenças, mas também se o aluno não tem hábito de leitura, não vai conseguir ter sucesso porque em todas as disciplinas tens pelo menos um livro para ler obrigatoriamente e tens de estar preparado para acompanhar.
U: A experiência de fazer mestrado na BSU serviu para passar a ter uma visão completamente diferente sobre a área?
JV: Sim, foi uma experiência muito rica, mas também foi um mundo académico muito diferente. A BSU é um mundo, todos os dias descobria algo de novo dentro daquela universidade, mesmo depois de um ano e meio, nos últimos dias continuava a descobrir algo novo. Os eventos não param na universidade e estão ligados a todas as áreas de formação. Tive a oportunidade de aprender não só em sala de aula, mas também nas atividades extracurriculares que se realizam todos os dias na BSU.
U: Disse que foi uma boa opção integrar um curso superior na Uni-CV e só depois ter a experiência do mestrado a nível internacional, não estava preparado nessa altura?
JV: Quando conclui o 12º ano, achava que o meu nível de inglês era suficiente para estudar num país anglófono, mas não era. Quando fui para os Estados Unidos para fazer o mestrado senti muitas dificuldades com a língua. Com a licenciatura feita e tendo estudado inglês na Uni-CV, mesmo assim senti muitas dificuldades, mas consegui ultrapassar. Por isso acho que foi uma escolha acertada e levou-me a concluir que precisamos fortalecer o ensino do inglês a nível secundário. O nosso nível de ensino não é mau, mas precisa ser fortalecido principalmente a nível prático.
U: Depois da licenciatura e do mestrado começou a trabalhar?
JV: Sim, depois de concluir a licenciatura em 2010, trabalhei na Câmara Municipal de Santa Cruz durante 2 anos como técnico de ambiente e saneamento e exerci a função de diretor do sector por alguns meses antes de partir para o mestrado. Entretanto, sou também voluntário no meu conselho desde 2008 e apresento programas jornalísticos no rádio comunitária até hoje.
U: Como tem sido o seu percurso depois do mestrado?
JV: Depois de concluir o mestrado em ensino da biologia, regressei a Cabo Verde para o meu trabalho em Santa Cruz e dois anos depois fui convidado pelo Ministro do Ambiente Habitação e Ordenamento Território, Dr. Antero Veiga, para trabalhar com ele como assessor e até ao momento é esta a função que estou a desempenhar.
U: Como Assessor do Ambiente, qual é o trabalho diário desta área?
JV: O meu trabalho no Ministério de Habitação e Ordenamento Território é muito complexo. Como é natural o ministro, Dr. Antero Veiga não pode dominar todos os assuntos do seu ministério, então ele precisa de assessores de diferentes áreas para auxiliá-lo sobretudo para dar seguimento a projetos. No meu caso ajudo o ministro a dar seguimentos a projetos ligados ao meio ambiente quando ele precisa de dar um parecer sobre um assunto. Tendo alguma dúvida, nada melhor que uma pessoa da área para ajudá-lo a tomar essas decisões, mas também o acompanho em visitas de campo, ajudo-o a produzir documentos, temos muitos acordos internacionais que temos que estar sempre a dar feedback. O assessor tem que estar por dentro de todos esses assuntos para auxiliar o ministro.
U: Que projetos são esses?
Jaquelino: São projetos ligados a àgua, saneamento, resíduos sólidos.
U: Além da Biologia, disse que tinha outras áreas de interesse.
J: Em 2011 representei Cabo Verde no Fórum de Juventude da UNESCO, em Paris, França. Além disso sempre me dediquei à poesia: o meu primeiro livro, “Mudjer y Mar”, foi lançado em 2013 e o segundo, “Puemas di Sodadi” no final de 2015. Sou um apoiante da valorização e reconhecimento da nossa lingua materna. Além de outros projetos que ainda tenho na gaveta.

U: A passagem pela Uni-CV acabou por mudar um pouco a sua perspetiva da vida?
JV: Com certeza, essas oportunidades que eu tive graças à Uni-CV fizeram toda a diferença no meu percurso académico e profissional: a iniciação científica e a oportunidade de fazer mestrado no BSU.
Uni-CV: Qual é a mensagem que deixa aos estudantes que estão agora a ingressar na Uni-CV?
JV: A mensagem que gostaria de deixar aos estudantes é que devem contar com as dificuldades, mas devem encará-las como desafios que têm que ser ultrapassados e com isso aprender uma lição. Devem aproveitar todas as oportunidades e ter o hábito de leitura e não podem esperar tudo do professor, temos de ser autodidatas. Os estudantes do ensino superior devem ser curiosos e procurar participar e engajar-se em tudo o que é desenvolvido na universidade, mas, sobretudo ter boas notas.
